sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Comentário de Rachel Sheherazade sobre o Carnaval


Em março do ano passado, a jornalista Rachel Sheherazade teceu um comentário acerca das festividades do Carnaval no Jornal Tambaú Notícias. O vídeo da opinião foi postada no Youtube e fez o maior sucesso nas redes sociais. Confira abaixo, também, a transcrição da opinião de Rachel:


Comentário de Rachel Sheherazade sobre o Carnaval

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"Ontem foi a quarta-feira de fogo e eu, não vejo a hora de chegar a
quarta feira de cinzas. Não, não é que eu seja inimiga do carnaval. Até já brinquei muito em clubes, nos blocos, nas prévias, fui até Olinda em plena terça-feira de carnaval. Portanto vou falar com conhecimento de causa e revelar algumas verdades que encontrei por trás da fantasia do carnaval. A primeira delas: o carnaval é uma festa genuinamente brasileira. Não, não é. O carnaval tal como nós o conhecemos, ele
surgiu na europa durante a era vitoriana e se espalhou pelo mundo afora
adaptando-se a outras culturas.Segunda falsa verdade: é uma festa popular. Balela. O carnaval virou negócio e dos ricos.  Que o diga os camarotes vip, as festas privadas e os abadás caríssimos, chamados "passaportes da alegria". E quem não tem dinheiro pra comprar aquela "roupinha colorida" não tem também direito de ser feliz?  Tem não. E aqui na paraíba onde se comemora as prévias não é muito diferente não. A maioria dos blocos vive as custas do poder público e nenhuma atração sobem o trio elétrico pra divertir o povo só por ser o carnaval uma festa "democrática". Milhões de reais são pagos a artistas da terra e fora dela para garantir o circo a uma população miserável que não tem sequer o pão na mesa. Muitas coisas hoje me revoltam no carnaval. Uma delas é ouvir a boa música ser calada a força por hits do momento como o "melô da mulher maravilha". E similares que não ouso nem citar. Eu fico indignada quando vejo a quantidade de ambulâncias disponibilizadas num desfile de carnaval para atender aos bêbados de plantão e valentões que se metem em brigas e quebra-quebra. Onde estão essas mesmas ambulâncias quando a mãe precisa socorrer um filho doente,  quando um trabalhador está infartando, quando um idoso no interior precisa se deslocar de cidade pra se submeter a um exame. Eu me revolto em ver que os policiais estão em peso nas festas para garantir a ordem durante o  carnaval e no dia-a-dia falta segurança para o cidadão de bem, exercitar o simples direito de ir e vir. Mas o carnaval é uma festa maravilhosa. Dizem até que faz girar a economia que os pequenos comerciantes conseguem vender suas latinhas, seus "churrasquinho". Olha, se esses pais de família dependessem do carnaval para vender e pra viver, passariam o resto do ano à míngua. Carnaval só dá lucro pra dono de cervejaria, pra proprietário de trio elétrico e para uns poucos artistas baianos. No mais é só prejuízo. Alguém já parou para calcular o quanto o estado gasta pra socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos em indenizações por morte ou invalidez decorrentes desses acidentes? Quanto o poder público desembolsa com procedimentos de curetagem que muitas jovens se submetem depois de um carnaval sem proteção que gerou uma gravidez indesejada? Isso sem falar na quantidade de DSTs que são transmitidas durante a festa em que "tudo é permitido". Eu até acho que o carnaval já foi bom, mas isso, só nos tempos de outrora."

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